Tinha quinze anos e não era bonita. Mas por dentro da magreza, a vastidão quase majestosa em que se movia como dentro de uma meditação. E dentro da nebulosidade algo precioso. Que não se espreguiçava, não se comprometia, não se contaminava. Que era intenso como uma joia. Ela.
Acordava antes de todos, pois ir à escola teria que pegar um ônibus e um bonde, o que lhe tomaria uma hora. O que lhe daria uma hora. De devaneio agudo como um crime. O vento da manhã violentando a janela e o rosto até que os lábios ficavam duros, gelados. Então ela sorria. Como se sorrir fosse em si um objetivo. Tudo isso aconteceria se tivesse a sorte de "ninguém olhar para ela"." Clarice Lispector
sempre, sempre Clarice. É planejar fotografar sua rotina e se deparar com um texto descrevendo exatamente o que você queria. Sou eu a cada linha.




Às vezes sinto-me culpada por amar literatura, ser brasileira, ser mulher, e nunca ter lido Clarice. Esse trecho só me faz lembrar de que preciso consertar isso. Logo.
ResponderExcluirQue pintou esse quadro na parede?
ResponderExcluirE poxa, deveria postar sua fotinho da edição de especial dos 200 anos do Sense&Sensibility. QUASE não fiquei curiosa ;)
Beijos
Helena - https://hassdc.wordpress.com
Clarice é sempre linda né?!
ResponderExcluirAdorei essa parte: "O que lhe daria uma hora. De devaneio agudo como um crime. O vento da manhã violentando a janela e o rosto até que os lábios ficavam duros, gelados. Então ela sorria. "