novembro 15, 2011

Era uma vez


Era uma vez. E acabou o conto antes mesmo de começar.
Era uma vez e você havia partido antes mesmo de chegar.
Era uma vez e a felicidade foi embora antes mesmo de se experimentar.
Era uma vez que nunca existiu. Uma vez que nunca se foi. E a vez que nunca se viu.
Era uma vez um dia e noite; se não fosse o lampião, eu nunca perceberia o tempo.
E se não fosse as marcas, era uma vez nunca haveria; se não fosse por nós, nada seria.
Era uma vez um era uma vez. Era tudo e era o nada.
Era uma vez um escritor farsante e seus personagens num papel sem vida.
Assim eu, com a história incompleta e a vida de era uma vez, sem vez nem era.
Assim você, numa outra era. Vivendo uma vez sem pode se ser.
Assim nós, sem poder nos ver.
E como vamos ser sem viver? 


Não sei, mas acho que as minhas poesias sempre foram meio Florbela Espanca.

5 comentários:

Gabriel Batista disse...

E depois vc diz que não sabe escrever...

João Gabriel disse...

gostei!

@MAKEPOPULAR disse...

ja estou seguindo
me ajuda e me segue de volta por favor...

www.makepopular.blogspot.com

Victor Cezar disse...

Sendo bem franco, você é uma pessoa de talento excepcional.

Victor Cezar disse...

Prosseguindo, porque agora estou no PC e dá pra escrever melhor, você sempre foi admirável em muitos aspectos, fascinante. Qualquer um que tenha o privilégio de conversar com você consegue notar sua inteligência e o jeito único de ser. Isso também transparece na sua escrita, por exemplo. É uma honra, um orgulho poder ver você crescer assim e ter um desenvolvimento que, embora para mim não seja surpreendente (nunca esperaria diferente da sua pessoa), é sensacional.