novembro 11, 2011

Por onde anda a felicidade?


 Por Mallu Magalhães

"A enorme maioria dos médicos que visitei nos últimos tempos me disse para eu procurar um analista, e não um médico. Sim, doutor, eu sofro demais, choro demais, sou intensa demais, diferente demais. Mas, independentemente de quanto sofro com as coisas, ou com que coisas, esta sou eu. 
Para curar qualquer problema, era preciso parar de lutar contra mim mesma. Era preciso me aceitar, me descobrir, me pesquisar, me amar e me fazer cada dia mais feliz. 
Na situação em que eu vivia, era cômodo colocar a culpa nas circustâncias: "Estou infeliz porque não moro com quem amo." ou "Estou infeliz porque não posso fazer o que quero na hora em que quero." Então tomei coragem e fui ver de perto. Eu me juntei com meu broto, passei dias sozinha, fiz o que queria na hora em que dava vontade. E deparei comigo mesma. 
Deparar consigo mesma parece uma maravilha do crescimento. Pois nascemos ouvindo milhões de regras, deveres, morais... E viciamos o olhar e o coração para fora. Mas por que não para dentro, se a única coisa que realmente temos é a nós mesmos?
Enfim, lá estava eu, com tudo o que tanto pedi e reclamei, e mesmo assim ficava triste. E fiquei impressionada ao perceber que criei outras infelicidades. Mas foi só quando parei de me questionar e me julgar que minha vida melhorou. É preciso atender ás nossas vontades só pelo fato de viver com prazer. É claro que temos de lidar com milhões de pequenos obstáculos que parecem impedir a realização de um desejo. Mas é essa a graça do jogo: um caça-ao-tesouro da felicidade. 
É desenvolver e exercitar a capacidade de olhar em volta e aproveitar o que tiver. É limpar a vista e desobstruir os caminhos rumo à alma. É tirar a poeira das inseguranças alheias as barreiras dos protótipos de felicidade e virar um pesquisador de si mesmo. E, quando menos esperamos, vem aquela sensação plena, o coração fica maior, e lá vem ela, tão linda: a felicidade. E ela estava bem ali, tão perto que não vimos. Ela está bem aqui no primeiro ponto de todos: nós mesmos."

 Texto escrito pela cantora Mallu Magalhães e publicado pela revista GLOSS em outubro/2011

3 comentários:

Victor Cezar disse...

Felicidade é uma busca constante. Exatamete por isso, na grande maioria das vezes, acaba sendo em vão. No máximo se resume a um bom momento em específico, passageiro.

Pelo menos é o que penso. A idéia geral de "ser feliz" (conseguir aprovação alheia, sucesso profissional, encontro de um par amoroso, hedonismo, eternas metas, desejo de conseguir algo a mais - geralmente material - assim que se conquista outra coisa)... Pra quê? Beira o surrealismo para mim.

Adriele Sales disse...

Eu concordo em partes com a resposta acima. "No máximo se resume a um bom momento em específico, passageiro." Penso da mesma forma.
Apesar de pensar assim, ainda me prendo ao pensamento alheio e espero uma aprovação. Impossível, não consigo não pensar no que os outros acharão de mim. Boba, eu sei!

Victor Cezar disse...

Nem um pouco boba, eu diria. Eu acho que isso é inerente ao ser - e em várias espécies, aliás. Não acho que tenhamos lá muitas opções nesse aspecto...