dezembro 05, 2011

Uma aprendizagem e outras histórias


Já tem um tempo que não escrevo pensamentos aleatórios por aqui.
Eu estava lendo Clarice, Uma Aprendizagem ou o Livro dos Prazeres, e toda noite ia dormir um pouco mais deprimida e um pouco mais esclarecida.
Lóri vive através da dor e agora tenta se libertar para se entregar ao amor de Ulisses. O livro inteiro é esse vou-não-vou filosófico.  

“uma das coisas que aprendi é que se deve viver apesar de. Apesar de, se deve comer. Apesar de, se deve amar. Apesar de, se deve morrer. Inclusive muitas vezes é o próprio apesar de que nos empurra para a frente. Foi o apesar de que me deu uma angústia que insatisfeita foi a criadora de minha própria vida. Foi apesar de que parei na rua e fiquei olhando para você enquanto você esperava um táxi.  E desde logo desejando você, esse teu corpo que nem sequer é bonito, mas é o corpo que eu quero. Mas quero inteira, com a alma também. Por isso, não faz mal que você não venha, esperarei quanto tempo for preciso.”

Algumas noites atrás, eu sonhei mais de uma vez com um sonho/realidade em que você acorda em dúvida. Eu sonhei que ia pra casa sem roupa. Como se fosse a coisa mais normal do mundo... Só que depois eu percebi que esse sonho vinha de uma lembrança ativada enquanto estava inconsciente. Depois de muito pensar, eu descobri.
Teve um dia na educação física, no ano passado, que estava absurdamente quente. Então, revolvi ir para casa sem sutiã. Assim eu me lembro.
Acontece que isso me lembrou outra coisa. Quando eu era mais nova eu costumava ir para o colégio sem sutiã. E meio que já era tempo de eu usar um. Eu era ingênua; até eu escutar um menino dizer que preferia meus seios ao invés de os maiores seios da turma. Aí, eu fiquei com vergonha.  A minha blusa ainda era meio transparente... Ainda tenho que sonhar e me constranger ainda mais ¬¬
 Clarice começou seu livro com uma vírgula e terminou com dois pontos. Foi como se Lóri e Ulisses existissem antes e continuassem a existir. Lóri finalmente consegue sentir prazer e encontrar a si mesmo. Apesar de.
 Eu tenho uma tendência a sentir pena das pessoas alheias, criando histórias de dor para elas a fim de justificá-las. A última vez foi quando eu achei que o homem, que escutava música gospel numa pequena caixa de som no metrô, passava por períodos difíceis. Tive essa sensação porque ele cantava junto e quando minha mãe e irmã reclamaram em voz alta, ele se debruçou sobre a caixinha de som, abafando o som. Mas talvez seja apenas pela temática da música.  
Eu já fiz isso outra vez no passado. Não vou contar.
Pena. O que no mundo me dá esse direito? Decerto que estou melancólica esses dias.
Minha professora de Filosofia disse que não basta apenas querer escrever alguma coisa. O texto tem que vir até você – quase uma possessão.  Tão verdade. Estou escrevendo um conto, mas as palavras pararam de vir e no lugar vieram estas.
Eu acho que este texto já não me possui mais. 

3 comentários:

Nathália Carvalho disse...

"Clarice começou seu livro com uma vírgula e terminou com dois pontos."
foda.
adorei.

Adriele Sales disse...

"Clarice começou seu livro com uma vírgula e terminou com dois pontos."
Também gostei dessa parte.

Ceci, vi seu comentário lá no facebook e me desculpe por não ter respondido antes. Estava entrando apenas pelo celular, pois tinha me mudado. Mas agora estou de volta, rs.

Feliz natal atrasado e, desejo que seu novo ano seja repleto de saúde, paz e felicidade. Beijos.

Adriele Sales disse...

Nossa, ainda vai ter as provas? Boa sorte, então.

E não se esquece de postar os contos, quero lê-los. (: